sábado, 23 de março de 2013

Quebrei!!!!!!!

Quando eu acordei, o dia já tinha nascido. Entre nuvens, mas ele, o sol estava ali, escondido, espiando.
Fui dormir tarde e perdi a hora. Quando vi que o dia já havia nascido, sabia o que me esperava lá fora: calor e sofrimento. Será que ía conseguir vencer os 7km? Estava animada para isso. Para minimizar o calor, tomei uma banho gelado e bebi 330 ml de água. Costuma ajudar.

A esta hora e ainda estava em casa!
Prontinha para sair
Quando eu cheguei na pista, o sol continuava escondido. Mas mal cheguei no quilômetro 2 e ele resolveu aparecer: eiiiiiii, estou aqui!!! Pensou que não ía me ver hoje hein????!!!! E continuou ali, durante todo o percurso, olhando para minha cara e torrando os meus miolos!!! Até o quilômetro 4 eu consegui resistir e estava sendo uma corrida super gostosa, bem agradável. Feliz na pista. Só que a partir daí, o astro rei resolveu ficar mais forte e mais quente. Tudo bem que não estava os 33, 34 graus dos verãozão, mas estava 31. 

Se é ruim encarar o sol com esta dupla, imagine sem.
A partir do quilômetro 4 foi só sofrimento. Fui ficando cada vez mais cansada e desgastada, a medida que os metros iam ficando para trás. Comecei a avaliar mentalmente minhas condições físicas e resolvi que não conseguiria passar do quilômetro 6. E assim foi. Não consegui completar os 7km. Os sentimentos? De fracasso e frustração. Raramente eu desisto e quando isto acontece fico remoendo, pensando se dei tudo de mim, o que poderia ter feito diferente, se não podia ter ido um pouco além. Administrar isso faz parte da vida de um corredor. Mesmo uma corredora amadora feito eu.

Tento pensar que esta é apenas minha quinta semana, depois de quase dois anos fora das pistas e quase sem nenhuma atividade aeróbica. Preciso dar um tempo para que meu corpo e principalmente minha mente volte a se acostumar com tudo isso. Mas voltar não é fácil. Especialmente porque todos os meus amigos corredores estão em outro patamar, treinando para meias, maratonas e ultras. E eu, por enquanto, tentando me manter na pista, com prazer.

No livro que estava lendo Era uma vez um corredor, Cass, o personagem principal, corredor profissional, diz que fora das pistas é muito difícil lembrar-nos do sofrimento e do esforço de quando estamos nelas.E por isso sempre voltamos renovados. Mas também sempre nos questionamos se fizemos todo o possível quando estávamos lá. E no auge do sofrimento é comum nos perguntarmos porque nos submetemos a isto. Para nós amadores, funciona assim também.

Pace médio: 5´48´´

Livro - A casa das Belas Adormecidas do japonês Yasunari Kawabata. É um livro estranho que nos causa um misto de muitos sentimentos: bons e ruins, como a maioria das histórias contadas pelos japones.